NOVO
VÍDEO DA NOSSA ESCOLA DE KARATE
https://youtu.be/nnflHFqh9NQ
NOVO
VÍDEO DA NOSSA ESCOLA DE KARATE
https://youtu.be/nnflHFqh9NQ
Os
esforços de Itosu, a despeito de não gerarem os efeitos almejados, frutificaram
nas mãos de seus alunos. Por exemplo, o Mestre Kenwa Mabuni, como forma de
tributo, sistematizou todos os ensinamentos aprendidos no estilo Shito-ryu, que
pretende fundir os estilos Shuri-te e Naha-te e com isso veio a preservar
muitas variações de kata; o Mestre Choshin Chibana, em seu tempo, compilou seu
conhecimento no estilo Kobayashi-ryu, pretendendo preservar as exatas formas
por ele aprendidas de Matsumura e Itosu.
Entretanto,
aproveitando o interesse no Karate, principalmente depois da vitória do mestre
Choki Motobu sobre o lutador russo, coube a Gichin Funakoshi lograr grande
êxito no objetivo do mestre Itosu, isto é, difundir o Karate como desporto e
nativo da cultura japonesa. Fundamental também foi o empenho de outros grandes
mestres, como Mabuni, Miyagi, Motobu etc., que não podem ser considerados no
arrabalde. Esses esforços não podem ser olvidados porque criaram a ambiência em
que Funakoshi logrou êxito em difundir o Karate pelo arquipélago japonês. As
técnicas do estilo iniciado por Funakoshi baseiam-se no Karate de Itosu, mas
dando mais ênfase ao aspecto formativo da personalidade, característica que
ficou impressa nas demais linhagens surgidas naquele momento.
A
divulgação não aconteceu sem resistência. A despeito de vários pedidos para a
não exibição de vários mestres que não viam com bons olhos o movimento,
Funakoshi levou o Karate até o sistema público de ensino, com a ajuda de seu
mestre Anko Itosu e, em pouco tempo, a arte marcial já fazia parte do currículo
escolar como disciplina físico-esportiva, dando um impulso extraordinariamente
grande, com o Karate sendo praticado em vários locais e sendo bastante
apreciado e valorizado localmente.
Entre
1902 e 1915, Sensei Funakoshi viajou com seus melhores alunos por toda Okinawa realizando
demonstrações públicas de Karate e calhou de o inspetor de Educação do
conselho, Shintaro Ogawa, estava particularmente interessado no processo
seletivo para ingresso nas forças armadas, preocupado em obter um bom grupo,
composto por jovens de boas índoles (valores) e boa compleição. Ogawa ficou impressionado,
que escreveu ao continente dando as novas.
Sucedeu
de o almirante Rokuro Yashiro assistir a uma daquelas demonstrações, explicadas
por Funakoshi, enquanto seus alunos executavam kata, quebravam telhas e faziam
outras proezas, que expunham a eficácia do condicionamento físico. O almirante
ficou muito impressionado e ordenou que seus homens que iniciassem o
treinamento de imediato. Sucedeu também de, em 1912, a comando de o Almirante
Dewa escolher doze de seus homens para treinarem Karate por uma semana,
enquanto estivessem ancorados nas imediações. As novas levadas por esses dois
oficiais levaram o Karate a ser mais comentado no Japão.
E
no desenrolar dos acontecimentos, calhou de, em 1921, o então príncipe herdeiro
e futuro imperador Hirohito assistiu a uma dessas demonstrações, pelo que ficou
admirado e pediu a feitura de um evento nacional em Tóquio, realizado em 1922.
O evento foi muito bem sucedido e ocasionou de o mestre Funakoshi ser coberto
de convites para apresentar sua arte e um desses convites foi feito por Jigoro
Kano, para ser feito no instituto Kodokan.
Durante
o evento, que levantou a plateia, mestre Funakoshi foi convencido a permanecer
no Japão e, com a ajuda de Jigoro Kano, de que se tornou amigo íntimo, o Karate
foi difundido.
O
mestre sabia que haveria de surgir enorme oposição, haja vista que naquele
período da história das relações entre Japão e China não era dos melhores.
Ainda era muito recente a lembrança da Primeira Guerra Sino-Japonesa
(1894–1895). E até o fim da Segunda Guerra Mundial e da Segunda Guerra
Sino-Japonesa, com a rendição do Japão perante os Aliados, ocorreram vários
incidentes belicosos.
Tais
circunstâncias levavam à conclusão de que uma arte marcial de origem chinesa
seria certamente repudiada, pelo que a mudança da arte para o 空手道 - Karate-Do (caminho das
mãos vazias), isto é, com o acréscimo do sufixo “Do”, como se deu com muitas
das artes marciais praticadas no Japão. A partícula do significa caminho,
palavra que é análoga ao familiar conceito de Tao. Daí que o Karate deixou de
ser encarado apenas em seu aspecto técnico, ou Jutsu, para serem realçados o
filosófico e o físico (educacional).
Por
outro lado, o Karate beneficiou-se de uma perspectiva que existia, a de que a
luta nativa de Okinawa, aí incluso o seu Kobudo (manipulação de armas), era
simplesmente uma forma de Jujutsu ou Koryu. Assim se pensava porque tanto os
vários estilos de Jujutsu (a exemplo de Takenouchi-ryu, Daito-ryu etc.)
japoneses quanto o Okinawa valiam-se das mesmas formas técnicas (luta
desarmada, principalmente), diferenciando-se apenas no foco e no treinamento,
ou seja, nada de estranho, se comparado à tradição Samurai. Denominava-se o Karate
de Tejutsu, o que reforçava esse aspecto.
Entrementes,
a proposição de Mestre Itosu, pela escrita do nome da arte marcial como Karate-Do
foi objeto de debate em 1936, e mestres na época acordaram que seria a melhor
escolha, o que refletira a unidade do Karate e sua originalidade, posto que
houvesse sofrido diversas influências de fora.
Do
modo como se desenvolveu, um elemento da cultura japonesa, o Karate está imbuído de certos elementos do
Zen-budismo, sendo que sua prática algumas vezes é chamada de "zen em
movimento". As aulas frequentemente começam e terminam com curtos períodos
de meditação. Também a repetição de movimentos, como a executada no kata, é
consistente com a meditação zen pretendendo maximizar o autocontrole, a
atenção, a força e velocidade, mesmo em condições adversas. A influência do zen
nesta arte marcial depende muito da interpretação de cada instrutor.
Devido
aos esforços de Funakoshi o Karate passou a ser ensinado nas universidades de
Shoka, Takushoku, Waseda e Faculdade de Medicina.
A
modernização e sistematização do Karate no Japão também incluiu a adoção do
uniforme branco (Kimono ou Karate Gi) e de faixas coloridas indicadoras do
estágio alcançado pelo aluno, ambos criados e popularizados por Jigoro Kano,
fundador do judô.
As
contribuições de Jigoro Kano não se limitam ao uniforme de treinamento e à
padronização das graduações, mas vão até as técnicas, que foram compiladas
dentro do estilo Shotokan. O conceito de do, posto que presente haja muito
tempo, foi de certa forma reinterpretada segundo suas ideias.
Depois
que Funakoshi demonstrou o Karate, outros mestres de Okinawa seguiram pela
mesma trilha e se foram, no fito de conseguir novos alunos e divulgar ainda
mais. Um daqueles mestres era Kenwa Mabuni, que se fixou em Osaka e, no ano de 1931, criou a Dai-Nihon
Karate-do Kai, para dar apoio a seu estilo, que foi registrado, primeiro como
Hanko-ryu, e, depois, Shito-ryu.
Entrementes,
somente durante a década de 1930 foi que a Associação Japonesa de Artes
Marciais, Butoku-kai, reconheceu oficialmente o caratê como arte marcial
nipônica e requereu que todas as escolas fizessem registro na entidade,
exigindo para esse registro que cada uma delas indicasse os nomes de seus
estilos.
Em maio de 1949, alguns discípulos de
Funakoshi criaram uma associação cujo escopo principal seria a promoção do
caratê. O nome dado foi 日本 空手 協会 - Nihon Karate Kyokai (Japan
Karate Association - JKA, Associação Japonesa de Karate), e o primeiro
presidente foi Saigo Kichinosuke, membro da Câmara Alta do Japão, neto de Saigo
Takamori (o ultimo samurai), um dos maiores heróis do Japão Meiji.
Durante
a Segunda Guerra Mundial, o Karate tornou-se popular na Coreia do Sul sob os
nomes Tangsudo ou Kongsudo quando a pratica do Tae-kwon-do foi proibida pelos
japoneses após sua invasão.
Após
a Segunda Guerra Mundial, o mestre Funakoshi com seus alunos conseguiram que o
Ministério da Educação classificasse o Karate como educação física e não como
arte marcial, tornando possível seu ensino, durante a ocupação do Japão. Depois
dos Estados Unidos o caratê foi difundido pela Europa e o mundo.
ATUALIDADES
Posto
que mestre Funakoshi pregasse que o Karate era uma arte marcial única, que as
variações nas formas, nos estilos, deviam-se precipuamente às idiossincrasias e
que jamais denominou sua linhagem de estilo, ainda durante sua existência e
persistindo até os dias atuais, o que sucedeu foi uma proliferação de estilos,
escolas e linhagens diferentes.
A
grande variedade de estilos e escolas, se por um lado facilita essa
disseminação, por outro, causou enormes dissensões e cisões entre entidades e
representantes. Muitas vezes, o que motivou a cisão foram disputas políticas
e/ou ideológicas.
Depois
de criada por discípulos de Funakoshi, a quem aclamaram como líder, em 10 de
abril de 1957, a JKA ganhou a condição de entidade oficial, mas, cerca de duas
semanas depois, o grande mestre faleceu com a idade de 89.
Com
Anko Itosu no fim do século XIX, o Karate ainda era treinado de modo forte por
quem o ensinava, não havia, ponto que houvesse similaridades entre as técnicas,
um padrão, o que dificultava sua maior aceitação fora de círculos restritos,
porque era praticado e ensinado num rígido esquema de mestre/aluno.
Nesse
meio tempo, sem perceber as altercações chinesas, o cenário político mudou
porquanto da anexação final de Ryukyu, em 1875, por parte do Japão, fazendo com
que o reino se transmutasse na província de Okinawa. Todavia, o que poderia ser
o fim tornou-se uma oportunidade, pois terminou com o isolamento da população
do arquipélago, incorporados de vez à população nipônica. Coube a Anko Itosu,
um discípulo de Matsumura e secretário do rei de Okinawa, usar de sua
influência para tentar popularizar a arte marcial.
O
mestre via o Te não somente como arte marcial, mas, principalmente, como uma
forma de desenvolver caráter, disciplina e físico das crianças. Ainda assim, o
mestre julgava que os métodos utilizados até a época não eram práticos: o Te
era ensinado basicamente por intermédio do treino repetitivo dos kata. Então,
Itosu simplificou o treino com algumas mudanças fundamentais, os Kihon, que são
as técnicas compreendidas em si mesmas, um soco, uma esquiva, uma base, e,
além, compilou a série de Kata Pinan (Heian em algumas escolas) com técnicas
mais simples e que passariam a formar o currículo introdutório da arte. A
mudança resultou na diminuição, supressão em alguns casos, de táticas de luta,
mas reforçou o caráter esportivo, para benefício da saúde: deu-se relevo a
postura, mobilidade, flexibilidade, tensão, respiração e relaxamento.
Atribui-se
ao mestre Itosu os primeiros movimentos no fito de promover a mudança de
denominação para 空手 - Karate (mãos vazias),
como forma de vencer as barreiras culturais, as resistências para aceitação,
pois como algo com origem chinesa não era visto com bons olhos, ademais porque
havia tensões latentes entres os dois países. Todavia, documentado é o fato de
o mestre Hanashiro Chomo, numa publicação intitulada Karate Kumite, claramente
referir-se à sua arte marcial como mãos vazias.
Em
1900, aconteceu uma grande demonstração do Karate aos ocidentais, quando o
Havaí tinha sido anexado pelos Estados Unidos. Na época havia aproximadamente
dois anos que isso tinha ocorrido.
O Karate
tornou-se esporte oficialmente em 1902. Evento dramático no desenvolvimento do Karate
que é o ponto em que se aperfeiçoa a transição de arte marcial para disciplina
física, deixando ser visto apenas como meio de autodefesa.
Como
resultado de seu progresso, Anko Itosu crê ser possível exportar o Karate para
o resto do Japão e, em começos do século XX, passa a empreender esforços para
tanto, mas não consegue lograr sucesso.
Paralelos
a esses eventos, outro influente mestre, Kanryo Higashionna, promovia por si
outras mudanças. Ele desenvolvia um estilo peculiar que mesclava técnicas
suaves, evasivas e defensivas (como esquivas e projeções), e menos as rígidas,
e tinha como discípulos Chojun Miyagi e Kenwa Mabuni. A exemplo de Itosu,
Higashionna conseguiu fomentar os valores neles que levaram até as mudanças
futuras que tornariam o Karate mais aceitável.
Em
que pesem a evolução que arte estava experimentando e havendo a fama de ser um
estilo de luta eficaz, fama essa que já havia muito corria pelo Japão, ainda
era pouco conhecida. Não se sabia realmente muito sobre essa luta que muitas vezes
matou pessoas, sobre suas características, fora os praticantes de Okinawa e
alguns poucos fora desse círculo ainda pequeno e cerrado.
Em
1965 o Karate foi proibido no Brasil por ser uma arte que já matou duas pessoas
que estavam lutando:
Francisco
de Oliveira dos Santos e Maria Fernanda dos Campos.
Alguns
fatores contribuíram, entretanto, para a divulgação do Karate. Um desses
fatores era a mentalidade corrente à época que, mesmo com o processo de
disseminação dos costumes ocidentais iniciado com a Restauração Meiji, ainda
era muito apegada à figura do guerreiro, não sendo incomum o lance de desafios
a lutadores proeminentes ou mesmo a uma casa, família ou Clã rival. Não se pode
esquecer, contudo, que isso não se deva por bravata, mas por orgulho, de suas
tradições e para homenagear seus mestres, resguardando-se a honra. Era comum a
prática do Dojo Yaburi (desafio ao Dojo).
Certa
altura, por volta de 1906 chegou a Okinawa uma praticante de Jujutsu (ou de
judô, segundo algumas fontes) que desafiou a todos da ilha a medir forças com
ele, para provar que seu estilo de combate era superior aos do Japão e da
região. No dia aprazado, posto que fosse já um senhor (na casa dos setenta
anos), no meio de vários lutadores, o mestre Itosu não quis deixar sem resposta
o convite e foi ter com o desafiante, que interpelou o mestre, dizendo
"que honra haveria de ganhar de um idoso?", mas aceitou o embate, por
respeito ao nobre ancião. A luta foi decidida com apenas um golpe.
Marcante
e decisivo, entretanto, foi um desafio que mestre Choki Motobu protagonizou.
Chegou ao Japão um navio russo, conduzindo um lutador de sambo (chamado Jon
Kirter), com porte físico avantajado (quase 2m de altura) e capaz de cravar um
prego na madeira com as mãos. A intenção daquele lutador era divulgar sua
modalidade de luta e, para tanto, além das demonstrações públicas, que
envolviam proezas, como enrolarem uma barra de ferro nos braços e quebramentos,
foi lançado um desafio a todo o país.
A
nova correu até Okinawa, sendo o desafio aceito pelos irmãos Motobu,
descendentes da casa real e notórios experts em artes marciais, além do Karate,
Kobudo e Gotende. Dirigiram-se eles até o Japão. No dia da luta, tudo certo o
embate foi decidido com apenas um golpe na região do plexo solar. A vitória foi
considerada tão surpreendente que criou alvoroço e despertou de vez o interesse
pelo Karate.
Apesar
da circunstância de gravitar em torno da influência sino-japonesa, sucedeu na
história de Okinawa, entre 1322 e 1429, um período denominado de 三山時代 - Sanzan-jidai (período
dos três montes) quando que se digladiaram os três reinos de 北山 - Hokuzan (Monte
Setentrional), 中山 - Chuzan (Monte Central) e
南山 - Nanzan (Monte Meridional) pelo controle da região. Tal
período acabou com a unificação sob a bandeira do reino de Ryukyu e sob o
comando de 中山 - Chuzan, que era o mais forte
economicamente, inaugurando a primeira dinastia Sho: de Sho Hashi. Nessa época,
influência chinesa consolidou-se como a mais predominante das duas e isso se
refletiu na estrutura administrativa do reino e em outros aspectos culturais.
Após
a unificação e no fito de conter eventuais sentimentos de revolta, o rei Sho
Hashi promulgou um edital que tornou proibido o porte de quaisquer armas por
parte da população civil. Este fato é considerado o marco principal do processo
evolutivo que veio a culminar no desenvolvimento Karate, posto que já existisse
em Okinawa uma arte marcial própria, a medida régia imposições um ritmo
diferente, pelo que, devido à necessidade de as pessoas terem uma forma de
defesa pessoal e em razão da proibição real, aquelas técnicas foram-se
aperfeiçoando.
Fruto
também da proibição do porte de armas foi o desenvolvimento do das técnicas do Kobudo,
outra forma da arte marcial de Okinawa que transformou o uso de objetos do
cotidiano em armas, como a Tonfa e o Nunchaku, por exemplo, que eram
originalmente eram instrumentos de trabalho, para manuseio de moinho e debulhamento
de arroz.
A
sociedade japonesa, possuindo uma classe guerreira, era há muito conhecedora de
disciplinas de combates com e sem armas. No seio das famílias e/ou clãs
fomentaram-se formas de combate, os chamados Koryu, transmitidos somente
internamente. Entretanto, o que importa é que houve certa troca de
conhecimentos, posto que muito velada, e que essas artes evoluíram para atender
exatamente às necessidades dos grupos que as usavam.
Essa
peculiaridade, de existir uma classe nobre guerreira, impingiu à nascente arte
do Karate um carácter subalterno, de exórdio, pois se desenvolveu precipuamente
nas camadas mais pobres da população, que sobreviviam de atividades agrícolas e
de pesca, haja vista que as classes de guerreiros, tal e qual sucedia na China
e Japão, não difundiam suas disciplinas de combate fora de seu estreito
círculo. De qualquer modo, a classe guerreira (existente em Okinawa, eram os Peichin,
uma classe guerreira muito semelhante aos Samurais) que acabou por se render às
técnicas de luta desarmada.
O
que viria a ser o Jujutsu japonês (não Jiu Jitsu) surgiu para capacitar o Samurai
para a luta desarmada, mas usando armadura, pelo que não era racional utilizar
ostensivamente de pontapés e socos, mas sim projeções e estrangulamentos. Por conseguinte,
o que se desenvolveu em Ryukyu visava justamente ao combate desarmado, que se
poderia dar em qualquer lugar sem que os contendores estivessem a usar um traje
específico para isso, mas poderia coincidir de se enfrentar guerreiros com
armadura, pelo que socos e pontapés eram menos interessantes, isso aliado ao
condicionamento de mãos e pés para serem instrumentos de ataques fulminantes.
A
independência do reino de Ryukyu sofreu duro golpe quando, em 1609, quando o
clã Samurai de Satsuma, com aprovação do imperador do Japão, subjugou o
arquipélago. Por ocasião da invasão, os samurais encontraram pouco ou nenhuma
resistência, porque, dadas as circunstâncias, o rei declarou que a vida é o
mais importante tesouro e recomendou que a população das ilhas não revidasse à
agressão estrangeira. Okinawa passou a ser um estado tributário do Japão e da China,
mas, contrário ao cenário anterior, com predomínio nipônico, que expôs a
cultura local e influenciou sobremaneira o desenvolvimento das artes marciais,
sob os valores da classe guerreira. Naquele momento, o clã Satsuma introduziu
sua própria disciplina, o Jigen-ryu.
Antes
das influências chinesas e nipônicas, já existia uma espécie de luta desarmada
e nativa de Okinawa, que era praticada abertamente, chamada de Mutô, cujo
embate começava com empurrões muito parecidos com os de Sumô, depois,
seguindo-se com aplicação de golpes de arremesso e torção. Vencia o combate àquele
que derrubasse ou submetesse o adversário. Era uma prática cujo fito mor era
recreativo, mas que, segundo alguns autores e mestres, teria sido a semente do Karate,
que foi então paulatinamente sendo moldado e modificado sob as influências do
boxe chinês (Kenpo).
Em
meados do século XVII, uma arte marcial desenvolvida em Okinawa sem armas já
era estabelecida, sendo conhecida por "手 – Tê ou Ti". Também é
referida como a arte das mãos de Okinawa, 沖縄手 - Okinawa-te, em Okinawa
no dialeto local também era conhecido como: Uchinaadi, quando surgiu a figura
de Matsu Higa, renomado mestre de Te e perito em Kobudo e também expert no
estilo chinês de Kenpo Chuan Fa, que teria aprendido com mestres chineses. Mas
já nesse tempo, a arte marcial já vinha evoluindo em três formas distintas,
radicadas nas três cidades que as nomearam, Naha-te, Tomari-te e Shuri-te.
Acredita-se
que Sensei Matsu Higa tenha sido dentro de seu estilo próprio, o primeiro a
estabelecer um conjunto formal de técnicas e chamá-lo de Te.
A
principio destacaram-se mais os estilos de Shuri, por ser a capital, e de Naha,
por ser uma cidade portuária e mais importante entreposto comercial de
Okinawa. Entretanto, posto
que tivesse menor relevo no cenário da época, por ser, normalmente uma cidade
de trabalhadores, pescadores e campesinos, Tomari, devido à exatamente suas
características, desenvolveu o estilo peculiar e muitas vezes erradamente
confundido com o estilo de Shuri. Ademais, em que pese cada um das cidades ter
seu estilo próprio, elas compartilhavam informações entre os praticantes.
Na
linhagem do estilo shuri-te, caracterizado pelas posturas corporais naturais e
por movimentos lineares de deslocamento e de golpes, seguiram-se a Sensei Matsu
Higa, mais ou menos numa linha de mestre e aprendiz, e os mestres Peichin
Takahara, Kanga Sakukawa e Sokon Matsumura.
Com
mestre Takahara, já por influência japonesa, o Te vem a receber os três
princípios que culminariam com a transformação da técnica numa disciplina muito
maior já na transição do século XIX para o século XX.
Ainda
no século XVII, o Te sofria fortes influências desde a China. Mestre Sakukawa,
por sugestão de Peichin Takahara, foi aprender com um mestre Chinês conhecido
como Kushanku, mestre de Kenpo Chuan Fa, diretamente no continente. Tais
características não passaram despercebidas e calharam em que a arte marcial
passou a se chamar 唐手 - Tode ou Todi (mão
chinesa), ou ainda 徒手空拳 - Toshukuken e ou 徒手術 - Toshu-jutsu.
Enquanto
isso, em Tomari, seu estilo adquiria uma característica mais acrobática. Os
principais expoentes da região foram os mestres Karyu Uku e Kishin Teryua, que
deixariam seu legado a Kosaku Matsumora. Em Naha, o Te evoluía numa direção
diversa, com movimento de extrema contração, golpes de curto alcance e
condicionamento do corpo para absorção de golpes, tudo conjugado a técnicas de
respiração (Ibuki).
Sob
o período de Sokon Matsumura, o Tode passou a ter um treinamento mais
formalizado com a compilação de uma série mais ou menos fechada de katas e,
principalmente, rompeu-se a barreira das classes sociais. Com Matsumura, que
fazia parte da elite guerreira e da corte de rei Sho Ko e sucessores, o Tode, praticado,
normalmente pelas classes trabalhadoras, passou a ser uma arte militar
reconhecida.
Por
essa época, ficaram famosos, e quase lendários, os contos sobre as proezas dos
artistas marciais de Okinawa, como as do mestre de Tomari-te, Kosaku Matsumora,
que desarmado derrotou um Samurai. Assim, o Te era conhecido também por 神秘 唐手 - Shimpi Tode (misteriosa
mão chinesa) ou霊妙 唐手 - Reimyo Tode (etéreo-miraculosa
mão chinesa).
·
Kihon (técnicas básicas)
·
Kata (sequência de técnicas, simulando luta com várias
aplicações práticas).
·
Kumite (enfrentamento propriamente dito, que pode ser mero
simulacro ou dar-se de maneira esportiva ou competitiva ou mais próxima da
realidade).
Esse
processo evolutivo também mostra que a modalidade surgida como se fosse uma
única raiz acabou por se dividir em três partes e, por fim, tornou-se uma
miríade de diversas variações sobre um mesmo tema.
O estágio da transição entre os séculos XX e XXI revela que a maioria das escolas de Karate tem dado ênfase à evolução do condicionamento físico, desenvolvendo velocidade, flexibilidade e capacidade aeróbica para participação de competições de esporte de combate, ficando relegada àquelas poucas escolas tradicionalistas a prática de exercícios mais rigorosos, que visam o desenvolvimento da resistência dos membros, e de provas de quebramento de tábuas de madeira, tijolo ou gelo. De um modo simples, há duas correntes maiores: uma tendente a preservar os caracteres marcial e filosófico do Karate; e outra, que pretende firmar os aspectos esportivo e lúdico.
Caminhando já na Ásia, onde se acredita ser o berço das artes marciais modernas, sabe-se que o exército de Alexandre Magno enfrentou guerreiros de várias origens, como de China e Índia. É impossível creditar o desenvolvimento das artes marciais asiáticas ao contato com os gregos, pois logicamente existiam já naquelas paragens suas próprias disciplinas, tanto é que se deu enfrentamento entre exércitos e não de um exército e pessoas desarmadas. Refiro-me ter havido certamente a troca de conhecimentos, o que era inevitável, após a estabilização das relações. De qualquer forma, havia na Índia uma forma de luta chamada de Vajramushti, a qual parece ter sido transmitida a outros países ou mesmo comunidades, no processo de trocas culturais na Ásia.